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sexta-feira, dezembro 31, 2010

Voyeur



          Entrou no quarto só de calcinha e pantufas, as mesmas que usa desde sempre. O cabelo comprido esconde quase tudo que sobrou da sua nudez, não que ela se importasse, mas ao ver-se assim no espelho, achou sensual “esse mistério”, pensou enquanto puxava devagar o cabelo revelando um dos seus seios, já excitados para a surpresa dela. Seu pulmão encheu, não imaginava que ficaria tão excitada por isso.
          Viu a cortina um pouco aberta apenas, não conseguia ver no lado de fora nenhuma janela acesa, mas imaginava que seu vizinho poderia estar olhando, pensava isso enquanto arranhava seu corpo. Sua mente esvaziou com um suspiro ao tocar a unha na calcinha. Esbarrou na cadeira, precisava sentar.
          Tampou com a mão direita o seio ainda coberto enquanto olhava a cortina. “Só um”, preocupava-se em não ficar mais nua que já estava, mas não conseguiu sair da frente da janela. Envergonhada e muda na cadeira, mordeu o dedo enquanto procurava o sexo em sua língua. “Já me viram”. Seu corpo parecia ansioso pela saliva, deliciava-se com o próprio receio. Conseguia manter-se incerta sobre quando transformaria sua vontade em gozo. Gemeu enquanto sua mão deslizava sentindo seu queixo, pescoço, seio. “Foda-se”.
          Ser vista a fazia sentir medo, era excitante. Olhava para a rua com o pouco esforço que fazia para abrir os olhos, enquanto molhava-se o corpo com os dedos procurando alguém que a espiasse.


imagem: http://bartoszl.com/

sábado, setembro 11, 2010

O Medo de Amar

O Amor é totalmente dependente. Não se ama sozinho, a solidão é resultado do Medo. O Amor é sustentado em pilares delicados, não tendo a capacidade de estes sustentarem algo tão pesado. O Medo é algo maciço, denso, esmagador. O Medo é forte, imponente e nada teme, pois está acima de todas as preocupações. O Medo abraça o Amor muito forte, até demais. O Amor fica coxo, impotente, dependente. Mentira.
Não existe Amor senão aquele que agrada. Não existe prazer senão aquele que é bom. Como uma criança que não compreende as coisas, o Amor simplesmente não se importa e não pensa em fazer o mal. Não sabe o que é certo e por vezes erra.
Para o Amor não existe erro, vive a utopia de que tudo acabará bem e confia no Medo, pois não entende a maldade. Joga-se do abismo, pois não acredita na morte, mas diante dela, sorri; não sabe não sorrir, o amor leva a felicidade a sério.
Sua relação com o Medo é masoquista e subjugada. Beija a ponta da faca enquanto o sangue escorre dos seus lábios. Sorri, permitindo que a lâmina atravesse sua gengiva. Beija até a morte e não se arrepende, não sabia fazer melhor.
O Amor não tem Medo.